quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Domingo

A neblina desta manha de domingo é bela, mas não tem a espessura das majestosas neblinas de minha infância.
Parece uma neblina pré fabricada e talvez até o seja, talvez haja uma grande maquina de fazer neblina no tempo certo e quantidade adequada aos padrões américo globais.
Mas, e as pessoas simpáticas e falantes que vejo pelas ruas? Serão também elas pré fabricadas para compor a paisagem?
Tudo aqui é muito certo, muito limpo, muito direito. Não há cercas, não ha carros velhos, não ha ferrugem, não ha lixo. Sim. Lixo há. Mas ele some rapidamente quando o colocamos na rua. Misteriosamente, some.
Certa vez vi num filme que o lixo uqe produzimos diz muito sobre quem e como somos. Será que aqui recolhem o lixo para sacar nossos segredos mais íntimos?
A ideia arrepia-me.
E já só da vontade de concentrar o pensamento numa frase apenas: ma ma ma ma ma ma ma Maria. (música dos anos 80)
Mas, e se interpretarem isso como um código? E se vierem atrás dos assustados Tico e Teco, meus únicos neurónios resistentes após os choques culturais dos últimos meses.
E quem havia de imaginar um dia que haveria choques mais danosos que os eletricos?
Tempos modernos.
Na curva de uma estrada rumo a New Portland vi uma cerca como as antigas, de arame farpado e tudo, dentro da cerca, e fora do alcance, havia uns barracões muito parecidos com os dos filmes alemães, enormes, achatados, de tijolos escuros e aparentes, altos, com pequenas vidraças apenas no alto.
Diria que eram assustadores, mas seria uma infantilidade não permitida a balzaqueanas aventureiras, assim, fechei os olhos apertados e fiquei imovel até o onibus alcançar a próxima curva.
acho que estas linhas nao servem para introduçao de uma tese.....melhor começar de novo...

(06.11.05)

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